sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

::: Exemplo de Dignidade e Honestidade :::


HUMILDADE DO VICE-PRESIDENTE JOSÉ ALENCAR
ESTE HOMEM, A CADA DIA DÁ-NOS UMA NOVA LIÇÃO!


Obs.: Recebi via email, mas não sei a fonte.

"A humildade não está na pobreza, não está na indigência, na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome".
Na semana passada, o vice-presidente da República, José Alencar, de 77 anos deu início a mais uma batalha contra o câncer. É o 11º tratamento ao qual se submete.
*Desde quando o senhor sabe que, do ponto de vista médico, sua doença é incurável?
JA  - Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos e logo me contaram. E não poderia ser diferente, pois sempre pedi para estar plenamente informado. A informação me tranquiliza. Ela me dá armas para lutar. Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente quando me refiro à doença em público. Ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem público com cargo eletivo não se pertence.
*O senhor costuma usar o futebol como metáfora para explicar a sua luta contra a  doença. Certa vez, disse que estava ganhando de 1 a 0. De  outra, que estava empatado. E, agora, qual é o placar?
JA  - Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado para viver o momento mais prazeroso de uma partida: vibrar quando faço  um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar.
*Como a doença alterou a sua rotina?
JA  - Mineiro costuma avaliar uma determinada situação dizendo que "o trem está bom ou ruim". O trem está ficando feio para o meu lado. Minha vida começou a mudar nos últimos meses. Ando cansado. O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira. Ando um pouco e já me canso. Outro fato que mudou drasticamente minha rotina foi a colostomia (desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga, onde são colocadas bolsas plásticas), herança da última  cirurgia, em julho. Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente. O trabalho me dá a sensação de  cumprir com meu dever. Mas, às vezes, preciso de ajuda. Tenho a minha mulher, Mariza e a Jaciara (enfermeira da Presidência da República) para me auxiliarem com a colostomia. Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar, recorro a outros dois enfermeiros, o Márcio e o Dirceu. Sou atendido por eles no próprio gabinete. Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro, chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto. Sem drama nenhum.
*O senhor não passa por momentos de angústia?
JA  - Você deveria me perguntar se eu sei o que é angústia. Eu lhe responderia o seguinte: desconheço esse sentimento. Nunca tive isso. Desde pequeno sou assim, e não é a doença que vai mudar isso.
*O agravamento da doença lhe trouxe algum tipo de reflexão?
JA  - A doença me ensinou a ser mais humilde. Especialmente, depois da colostomia. A todo momento, peço a Deus para me conceder a graça da humildade. E Ele tem sido generoso comigo. Eu precisava disso em minha vida. Sempre fui um atrevido. Se não o fosse, não teria construído o que construí e não teria entrado na política.
*É penoso para o senhor praticar a humildade?  
JA  - Não, porque a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. Sou obrigado a me adaptar a uma realidade em que dependo de  outras pessoas para executar tarefas básicas. Pouco adianta eu ficar nervoso com determinadas limitações.
Uma das lições da humildade foi perceber que existem pessoas muito mais elevadas do que eu, como os profissionais de saúde que cuidam de mim. Isso vale tanto para os médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil, Raul Cutait e Miguel Srougi quanto para os enfermeiros e auxiliares de enfermagem anônimos que me assistem. Cheguei à conclusão de que o que eu faço Profissionalmente tem menos importância do que o que eles fazem. Isso porque meu trabalho quase não tem efeito direto sobre o próximo. Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor.
*Essa sua consideração não seria uma forma de se preparar para a morte?
JA  - Provavelmente, sim. Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração: "Livrai-nos da morte repentina". O que significa isso? Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir.  
*O senhor tem medo da morte?
JA  - Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio. Tornei-me uma pessoa muito  melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar  pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena. Até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu Paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.
*Se recebesse a notícia de que foi curado, o que faria primeiro?
JA  - Abraçaria minha esposa, Mariza e diria: "Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

::: Barriga é barriga :::



Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais. Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna:
A tartaruga com toda aquela lerdeza vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos?
Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha - lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico viveu 90 anos.
Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde...
E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!!!
Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA!!! O elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO!!!
VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!!
Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem!
E nunca se esqueçam: 'Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal. ´
E lembrem-se sempre: Celulite quer dizer - EU SOU GOSTOSA! Em braile.

Por Arnaldo Jabour

domingo, 31 de outubro de 2010

::: Mulheres de Atenas :::


Novata, nunca, ela passou pro segundo turno.
Não esperava, mas precisou passar por mais essa luta, mais essa caminhada, mesmo com o pé dodói...
Mas ela é guerreira, melhor ainda, ela é companheira.
O povo tem o governo que merece? Talvez...
Mais uma vez reinou a democracia, juntamente com a visão torpe do povo.
Meu médico preferido, Dr. Guilherme, até meu amigo pessaol e também virtual... diz que meu coração está do lado esquerdo.
Será que assim como o PT? Hummm acho que não, mas isso pelo visto, pouco importa.
Dilma dormiu mancando, dolorida, e acordou no trono, no céu.
Deitada eternamente em berço esplêndido, que suas feridas históricas sejam bálsamo para esse mandato também histórico.
Parabéns pela conquista, parabéns governo Lula pelo cabo eleitoral primoroso que fostes. Quem sabe uma Estatal, quem sabe daqui 4 anos nos encontramos. Mas foi uma conquista fantástica, e viva a democracia, viva o Brasil, numa crescente subida, rumo à Serra.
Terra adorara, dos filhos dessa mãe Dilma gentil, pátria amada Brasil.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

::: Os filósofos de Dilma e Serra pararam de filosofar :::

Publicado: 20/10/2010 por Revista Espaço Acadêmico



Vi o professor José Arthur Giannotti em um canal pago da Rede Globo. Perguntado sobre se o Brasil estava com sua democracia ameaçada, ele deu um pulo para afirmar que sim. Claro, Dilma estava para ganhar a eleição no primeiro turno e, então, para ele, do PSDB, não se tratava da vitória de um adversário e, sim, de uma inimiga da democracia.
Giannotti ensinou bem a professora Marilena Chauí. Pois, agora que Serra está na cola de Dilma nas pesquisas, Chauí, do PT, diz que a vitória de Serra não é só uma ameaça aos direitos sociais, mas uma ameaça à democracia.
Assim, se nos fiarmos nesses dois professores de filosofia aposentados da USP, qualquer dos nossos votos não será o que todo mundo pensa, ou seja, um exercício de democracia, mas a abertura para o começo do fim da democracia.
Penso que vale para esses dois professores veteranos a história do cachimbo e da boca torta. Eles viveram sob o Regime Militar (1964-1985) um bom período de suas vidas, talvez a época mais produtiva deles, então, se acostumaram a um Brasil que se parecia com outros países latinos, oscilantes quanto à democracia, sempre sujeitos a golpes militares. Isso entortou o raciocínio desses dois professores que, agora, só conseguem produzir um tipo de pensamento: vitória do outro é golpe ou começo de golpe.
Giannotti age como quem pensa que o PT de Lula não é um partido político que se sai bem na democracia, mas um grupelho de guerrilheiros, como os que, filiados a times revolucionários no estilo dos de Che Guevara, atuaram contra o Regime Militar nos anos sessenta e setenta. Assim visto, o PT estaria usando a democracia apenas como trampolim para o golpe. Marilena Chauí, por sua vez, fala como quem pensa que o PSDB não é o partido de liberais e liberais conservadores, mas um aglomerado de pessoas que estiveram servindo o Presidente Médici. Ambos,  Giannotti e Chauí, criam teorias e redefinem a democracia de modo quase idiossincrático para, assim, se darem o direito de não ver o que todos os outros brasileiros estão vendo, que estamos diante de políticos, de ambos os lados – do PT-PMDB e do PSDB-DEM, que adoram o jogo político democrático, pois já o experimentaram e, nele, tiveram os principais êxitos de suas vidas. Essas teorias desses professores são frutos não do que leram no campo da filosofia, mas de uma mentalidade que foi empobrecida, que só sabe ver a política brasileira como aquela do tempo do Regime Militar, exercida de ambos os lados por gente que não tinha êxito no jogo político. Isso faz Marilena Chauí e José Arthur Giannotti não conseguirem entender a política democrática vigente hoje.
No tempo do Regime Militar, Arena e MDB disputavam e ambos perdiam. A política era esvaziada pela situação criada pelo Golpe de 1964, e que se repunha a cada dia de uma forma diferente das adotadas pelas ditaduras tradicionais. O Congresso funcionava. Mas a oposição, o MDB, não tinha autorização para vencer a ARENA, e esta, por sua vez, não tinha autorização para colocar um civil de suas fileiras em postos muito altos, muito menos na Presidência, que não fosse alguém “fora” da política – um general, é claro.
Creio que esse ambiente contaminou o pensamento de Chauí e Giannotti. Eles olharam tanto para esse modelo que, agora, quatro décadas depois disso ter chegado ao fim (1985), eles ainda pensam a política naquele registro de juventude. Não percebem que os políticos de hoje se alternam quanto a posições menos ou mais conservadoras, mas nenhum deles advogaria o fim do regime democrático. E isso tais políticos levam adiante não por outra coisa que não o fato de que a democracia lhes é a condição mais vantajosa para obterem êxito. Ela, a nossa democracia, lhes dá tudo que eles querem – todos eles são vencedores nesse regime, o atual, o regime democrático em que vivemos. Eles diferem de modo mais radical quanto ao papel da política social ou, mesmo, da política econômica tendo em mira a política social. Mas eles não diferem quanto ao apreço pela democracia, pois eles todos são vencedores na democracia.
Ao não conseguirem entender isso, Chauí e Giannotti passam a demonizar os adversários de suas agremiações do coração e, ao mesmo tempo, endeusar os líderes que eles apóiam. Perdem completamente a observação crítica. Hoje, qualquer jovem, mesmo que tenha posição política bem nítida e apaixonada, se é inteligente, é mais crítico que esses dois professores. É triste isso, pois, afinal, até pouco tempo atrás esses dois professores eram tomados por muitos de nós como filósofos capazes de produzirem narrativas sobre o Brasil que poderiam nos fazer ver melhor. Atualmente, eles reproduzem mera ideologia, até mais que os próprios candidatos que apóiam.

PAULO GHIRALDELLI JR., filósofo, escritor e professor da UFRRJ.
 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

::: DEMOCRATAAAA, ONDE? :::


Outdoor em Iowa compara Obama a Hitler e Lênin



Propaganda paga por movimento local chama democrata de 'líder radical'. Conservadores nacionais criticaram iniciativa; Casa Branca não comentou.


Cartaz pago pelo movimento conservador Tea Party do norte de Iowa mostra lado a lado o nazista Adolf Hitler, o presidente Barack Obama e o líder soviético Lenin, em avenida na cidade de Mason City, na segunda-feira (12). O cartaz compara o 'nacional socialismo' de Hitler, o 'socialismo democrata' de Obama e o 'socialismo marxista' de Lenin. Sob as fotos, está o slogan de campanha do democrata, 'Mudança', e a frase: 'Líderes radicais miram nos medrosos e nos simplórios'. A propaganda recebeu críticas até de lideranças conservadoras nacionais, como Shelby Blakely, do Tea Party Patriots, que a chamou de 'perda de tempo e dinheiro'.  (Foto: AP)

Fonte: http://g1.globo.com

domingo, 30 de maio de 2010

::: Ficha limpa é pura demagogia :::



O inferno está lotado de boas intenções. A frase cai como uma luva para contextualizar o debate sobre os políticos “ficha-suja” e o projeto “ficha-limpa” que ganhou grande apoio no país, à direita e à esquerda.
Além de violar princípio da presunção da inocência, idéia retoma projeto da ditadura que estabeleceu a cassação dos direitos políticos pela “vida pregressa”. Se pessoas com “ficha suja” não podem se candidatar, por que mesmo poderiam votar?
A primeira ameaça ronda o artigo 5° da Constituição, que aborda os direitos fundamentais e afirma que “ninguém será condenado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Um outro viés que corre por fora, é o seguinte: se a idéia de ficha limpa é pra valer, por que não aplicá-la também aos eleitores, ou seja, se pessoas com “ficha suja” não podem se candidatar, por que mesmo poderiam votar?
Na minha opinião, a ameaça mais grave, e menos visível imediatamente, que ronda esse debate é a incessante campanha de demonização dos políticos e da atividade política, impulsionada quase que religiosamente pela mídia brasileira.
É sintomático que o debate sobre a “ficha limpa” apareça dissociado do tema da reforma política. Eternamente proteladas e engavetadas, as propostas de uma mudança na legislação sobre as eleições e o financiamento das campanhas não obtém mesmo o alto grau de consenso e mobilização.
Após analisarmos os itens acima, concluímos que acusados de envolvimento em esquemas de corrupção, de autoritarismo e de sucateamento dos serviços públicos seguem com a ficha limpíssima.
Devemos nos perguntar: É este o caminho? Uma aberração político-jurídica vai melhorar nossa democracia?

Não nos esqueçamos e nos alertamos, que o “ficha limpa” é projeto demagógico, autoritário e flerta com o fascismo. CUIDADO!

Comentado após leitura do artigo de MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER é editor-chefe da Carta Maior. Publicado em Carta Maior, 16.05.2010

sábado, 15 de maio de 2010

::: Fatalidade ou descaso com a area científica :::

  (Foto: Nelson Almeida/AFP)
O incêndio ocorrido no Instituto Butantan neste sábado (15-05-2010) incinera uma história que iniciou-se em 1898, estimulado por um surto epidêmico de peste bubônica no porto de Santos, e sua criação foi oficializada em 1901. Treze anos mais tarde, foi inaugurado o Prédio Central do Instituto. Além de diversas pesquisas e projetos na área científica.
O instituto trabalha em vários projetos sobre o uso de venenos répteis, que estavam sendo usados no combate de doenças como Leishmaniose e o mal de Chargas. Recentemente, o Butantan também tem sido o órgão publico responsável pela produção de vacina da gripe H1N1 (gripe suína), a partir de amostras fornecidas pelo laboratório francês Sanofi Pasteur.
Não podemos esquecer que o prejuízo material, você recupera. O científico, não. Dizer a causa agora é precipitado. Mas um problema técnico é facilmente previsto ou detectado com fiscalização. Resta aguardar a versão da perícia. A perda é incrivelmente irreparável.
Por causa de líquidos inflamáveis como álcool, éter e formol, o fogo se alastrou rapidamente. Chamas que em pouco mais de uma hora acabaram com um acervo reunido durante um século.
A maior coleção de cobras dos trópicos do mundo, com 85 mil exemplares, utilizados em pesquisas científicas, se perdeu no meio do fogo. Amostras de aranhas e escorpiões também foram consumidas pelas chamas.
Culpar quem? O veneno da cobra ou o desleixo daas autoridades? Será que se esse Instituto fosse num país que conserva sua história, sua memória, teria acabado em cinzas como tudo acabou? Hummm, acho que não. Certamente não.
Aliando o real com o imaginário, dá até pra fazer um Mapa Astral do ocorrido, rsssss...

Numa manhã radiante, o sol penetra na região do demônio faiscante Algol.
Lua e Vênus no horizonte! Muito elemento feminino na hora do incêndio....
Um prédio velho e o despeito ou o desrespeito.
A destruição guiada por um louco ou apenas fatalidade...
Quem culpar? Fica a pergunta.
Não quero a pergunta, eu quero a resposta.
LUTO MUNDIAL




segunda-feira, 10 de maio de 2010

::: A Universidade é uma instituição feudal :::


Terminei a leitura de Os Intelectuais na Idade Média, de Jacques Le Goff.[1] Compreender as origens é fundamental para a compreensão do presente. Conhecer o intelectual e a universidade medieval nos ajuda a entender o intelectual e a universidade atuais. Percebemos, então, como a tradição resiste ao tempo, como os mortos assombram os nossos cérebros e revivificam pelos nossos hábitos. Consideramos-nos modernos – alguns até falam em pós-moderno – mas, de fato, muito do habitus do intelectual acadêmico de hoje tem a ver com os nossos ancestrais. Os tempos são outros e ocorreram transformações. Não obstante, é aconselhável levar em consideração a tradição, a continuidade na descontinuidade, as permanências nas rupturas históricas.

A leitura de Os intelectuais na Idade Média foi motivada pela curiosidade intelectual, pelo desejo de conhecer melhor a história da instituição à qual me encontro estritamente vinculado.[2] Mas também é parte do esforço de compreensão das práticas no campo[3] acadêmico. Está ligado ao projeto de pesquisa Sociologia da prática científica, desenvolvido com o Prof. Dr. Walter Praxedes e vinculado ao Grupo de Pesquisa em Sociologia do Conhecimento e Educação.

A universidade, em suas origens, é feudal, mas é urbana – e esta é uma das suas características determinantes: “No início foram as cidades. O intelectual da Idade Média – no Ocidente – nasceu com elas. Foi com o desenvolvimento urbano ligado às funções comercial e industrial – digamos modestamente artesanal – que ele apareceu, como um desses homens de ofício que se instalavam nas cidades nas quais se impôs a divisão do trabalho”, afirma Le Goff.[4] O intelectual típico da Idade Média é aquele “cujo ofício é pensar e ensinar seu pensamento”. Como ressalta Le Goff, é a “aliança da reflexão pessoal e de sua difusão num ensino” que caracteriza o intelectual medieval.[5]

Eruditos, clérigos*, pensadores, etc. Várias são as palavras para designar o intelectual da Alta Idade Média que desenvolve-se nas escolas urbanas do século XII e manifesta-se nas universidades do século XIII. Ele é o elemento central desta corporação específica, a universidade:

“O século XIII é o século das universidades porque é o século das corporações. Em cada cidade em que existe um ofício agrupando um número importante de membros, esses membros se organizam para a defesa de seus interesses, a instauração de um monopólio de que se beneficiem. É a fase institucional do impulso urbano que materializa em comunas as liberdades políticas conquistadas, em corporações as posições adquiridas no domínio econômico. Liberdade aqui é equívoco: independência ou privilégio? Encontrar-se-á essa ambigüidade na corporação universitária. A organização corporativa já petrifica o que consolida”.[6]

Combatida pelas autoridades eclesiásticas e pelo poder civil, a universidade corporativa encontra apoio no papado. Paradoxalmente, coloca-se sob as asas protetoras do poder espiritual, a despeito da sua tendência ao laicismo. São as contradições inerentes a uma instituição que precisa barganhar para sobreviver, manter e ampliar privilégios. Ao se aliar ao sumo pontífice, o intelectual termina por se submeter. A Santa Sé tem interesses e o favorece para domesticá-lo. A corporação universitária conquistou a independência em relação às forças locais, sob o preço de torna-se uma corporação eclesiástica.[7]
Eis uma ambigüidade que persistirá. A universidade se pretende autônoma, mas depende dos recursos do Estado. Como sua antecessora medieval, ela tem privilégios a defender. E, claro, os que dependem dela. Seu caráter corporativo se mantém atual.

[1] LE GOFF, Jacques. Os Intelectuais na Idade Média. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006.
[2] Refiro-me à universidade em geral, e não apenas à universidade específica na qual trabalho.
[3] Utilizo “campo” enquanto conceito criado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, uma das referências bibliográficas principais da pesquisa que desenvolvemos.
[4] LE GOFF, Jacques. Os Intelectuais na Idade Média. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006, p.29.
[5] Idem, p.23.
* Como observa o tradutor, Marcos de Castro, em nota de rodapé: “A palavra do original, clerc, te em francês, além do sentido de membro do clero, o de sábio, erudito, intelectual, o que não acontece com “clérigo” em português” (LE GOFF, Jacques. Os Intelectuais na Idade Média. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006, p. 23).
[6] Idem, p.93.
[7] “Ainda que seus integrantes estejam longe de pertencer às ordens; ainda que, cada vez mais, ela vá abrigar em suas fileiras puros leigos, os universitários passam todos por clérigos, estão ligados às jurisdições eclesiásticas, mais ainda: à jurisdição de Roma. Nascidos de um movimento que caminhava para o laicismo, integram-se à Igreja, mesmo quando buscam, institucionalmente, dela sair” (In idem, p. 100).
 
by Antonio Ozaí da Silva
(Professor do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá (UEM); editor da Revista Espaço Acadêmico, Acta Scientiarum. Human and Social Sciences e Revista Urutágua)

terça-feira, 4 de maio de 2010

::: 5 coisas que não sabíamos sobre Hitler :::


Péssimo aluno, poeta e apoiador de uma revolta comunista.
Livro conta curiosidades sobre a vida do Führer

por Érika Kokay (Revista Galileu)

Filho de um funcionário da alfândega, Adolf Hitler (1889-1945) teve uma infância pobre e uma adolescência triste e solitária. Detalhes de sua vida – alguns nunca antes revelados – foram expostos em 265 verbetes no livro “O arquivo de Hitler”, escrito por Patrick Delaforce, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial. A obra está prestes a ser lançada no Brasil pela Panda Books.
 
O autor pesquisou escritos e discursos do líder nazista, pontos de vista de pessoas que o conheceram e bibliografias a respeito de Hitler para contar a jornada de um jovem pobre e desacreditado, que se tornou o maior ditador do século 20.
 

 Na terça-feita (20 de abril de 2010), Hitler faria 121 anos.

 
A Revista Galileu traz alguns fatos curiosos narrados pelo livro de Delaforce:
 
1º O sonho de Hitler era ser artista - O ditador teve uma adolescência muito sofrida. Em setembro de 1900, aos 11 anos, ingressou na Realschule de Linz, uma escola secundária que formava rapazes para a carreira comercial ou técnica. “De modo algum desejava me tornar um funcionário público. Um dia, tive certeza de que seria pintor, um artista... Meu pai ficou perplexo, mas logo se recuperou... ‘Artista, não, jamais enquanto eu viver!’”, assim escreveu Hitler em seu livro Mein kampf. Aos 16 anos, após a morte do pai, Alois Hitler, Adolf se mudou para Linz com sua mãe, irmã e tia e consagrou “toda a vida à arte”. Ele fazia esboços, pintava, projetava museus, uma ponte sobre o rio Danúbio, teatros e até mesmo a completa reconstrução de Linz. Fez também, por um tempo, algumas aulas de piano. Além disso, frequentava concertos, teatros, um clube de música, outro de livro e um museu de cera. Como teria sido a história da Alemanha se Hitler tivesse obtido sucesso em seu sonho?

2º Hitler escrevia poemas - Aos 15 anos, Adolf passava a maior parte do tempo desenhando, pintando e lendo. Nessa época, morava numa casa de família em Steyr, na Áustria, onde ficava a escola que então frequentava. Escreveu também, com essa idade, um poema um tanto quanto incoerente. Os símbolos (-) são palavras indecifráveis:
As pessoas ali se sentam numa casa ventilada
Enchendo-se de cerveja e vinho
Comendo e bebendo em êxtase
(-) então de quatro.
Ali escalam os altos picos das montanhas
(-) com as faces cheias de orgulho
E caem como acrobatas em cambalhotas
E não podem se equilibrar
Então, tristes, voltam para casa
E em calma esquecem o tempo
Então ele vê (-), sua esposa, pobre homem,
Que lhe cura as feridas com uma boa sova.

O poema estava ilustrado com o desenho de uma mulher robusta surrando o marido.
3º Hitler era um adolescente preguiçoso na escola - Observe o boletim de quando o ditador cursava a 4ª série, na escola de Steyr, emitido em 15 de fevereiro de 1905. Um empenho sofrível na escola mostra como o adolescente de 16 anos era preguiçoso. Mas quando o assunto era arte, ele obtinha ótimos resultados. Porém, o mais espantoso era seu excelente desempenho em ginástica, já que, quando adulto, Hitler detestava exercícios físicos, raramente caminhava e não praticava esportes.

4º O primeiro amor de Hitler foi uma judia - Muitos sabem que Adolf Hitler tinha uma relação muito forte com sua mãe. Mas o primeiro amor dele, de fato, foi Stefanie (ou Stephanie) Isak, uma jovem loira e alta que vivia no mesmo subúrbio de Linz. O sobrenome dela indicava que fosse judia, mas isso não o incomodava.
O menino apaixonado de 17 anos dedicou a ela uma série de poemas românticos e, na companhia de seu melhor amigo, Gustl Kubizek, ficava todos os dias esperando Stefanie passar na rua, que infelizmente estava sempre sob o olhar atento da mãe.
Hitler confessou a Gustl que, para fugir com ela, seria capaz de sequestrá-la. E como a moça o ignorava, Adolf planejou suicídio nas águas do rio Danúbio, levando-a consigo. Stefanie, que possivelmente nunca conversou com Hitler, acabou se casando com um soldado, o tenente Jasten.
5º Hitler já ficou do lado de um movimento comunista - Logo depois do armistício de 11 de novembro de 1918, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, o cabo Adolf Hitler deixou o hospital e retornou a Munique. Lá, ficou fascinado por um jornalista judeu e fanático socialista, Kurt Eisner (1867-1919), que era também crítico teatral da cidade. Kurt Eisner organizou uma revolução que proclamou a Baviera um estado livre da mornarquia alemã em 1918.

Como membro da 7ª Companhia do 1º Batalhão de Reserva do 2º Regimento de Infantaria da Baviera, Hitler foi nomeado Vertrauensmann (representante). Entre outras funções, ele deveria ajudar o departamento de propaganda do revolucionário Partido Social-Democrata Independente da Alemanha. Em 13 de abril, os soldados dos conselhos de Munique realizaram uma eleição para assegurar que sua guarnição se mantivesse leal à nova república comunista. Como vice-presidente do batalhão, de acordo com o livro de Delaforce, o cabo Hitler era um dos defensores da república comunista, e muitos de seus amigos também apoiavam a instauração. Em 3 de maio de 1919, o a revolução foi massacrada e dissipada.